memoQ e Parallels

Para trabalhar com programas Windows no Mac (basicamente as ferramentas do dia-a-dia tradutório) uso o Parallels Desktop para criar uma “máquina virtual” no Mac, como se fosse um computador com Windows dentro do meu computador.

O Parallels permite usar as pastas do Mac como se fossem unidades de rede dentro do Windows, então eu não preciso ficar copiando arquivos para lá e para cá. De modo geral funciona muito bem, mas esta semana descobri um ponto negativo: aparentemente, essa estrutura de arquivos estava “confundindo” o memoQ na hora de exportar arquivos .ttx.

Por algum motivo, o problema só acontecia com arquivos .ttx. Os .doc e .ppt, que são os que mais traduzo, sempre exportaram sem problemas.

Depois de uma troca de mensagens com o suporte técnico da Kilgray sobre o problema dos arquivos .ttx, inclusive estudando a possibilidade de ser um problema com o Dropbox, a lampadinha da ideia se acendeu. Configurei o memoQ para trabalhar só dentro da unidade local (c:\), copiei todos os arquivos do projeto para lá e voilà! Tudo funciona e exporta direitinho.

Então, fica a dica: se você trabalha com o memoQ no Mac com o Parallels, experimente manter todos os arquivos do projeto e do memoQ (memórias, glossários, recursos) na unidade local.

Outro uso para o arquivo bilíngue do memoQ

Cliente manda vários arquivos para revisão. Em formato .ttx, para ser aberto no TagEditor. Ele não pede relatório das correções, mas como demonstrar as alterações feitas? Depois de queimar um pouco as pestanas, acho que consegui uma boa solução.

Criei um projeto no memoQ com os arquivos ttx traduzidos. Depois, exportei cada um como documento bilíngue usando Export bilingual > Two-column RTF.

Depois de revisar os arquivos no Word com Track changes (Controlar alterações) ativado, reimportei no memoQ. Mandei os arquivos .rtf para o cliente junto com os .ttx, assim ele pode ver exatamente o que alterei no texto.

Como traduzir arquivos .ttx no memoQ

Quando um cliente envia um arquivo .ttx, espera que seja traduzido no TagEditor. Mas, como uso o TE apenas em último caso, traduzo tudo no memoQ. Acho melhor e mais prático, com controle muito melhor da terminologia.

Infelizmente, o método que uso não dispensa o Workbench e o TagEditor nas fases de preparação e finalização.

1. Se o cliente enviou a memória no formato .tmw, abra-a no Trados Workbench (File/Open) e exporte no formato .tmx 1.1 (File/Export).

2. Pré-traduza os arquivos enviados pelo cliente. No Trados Workbench, selecione Tools/Translate/Add, selecione os arquivos que quer pré-traduzir, confirme se as opções correspondem às da figura abaixo e clique em Translate.Pretranslate no workbench

Uma observação importante: se a caixa “Segment unknown sentences” não estiver marcada, o Trados não vai segmentar o arquivo inteiro. A opção precisa estar marcada para ocorrer a segmentação completa. [Valeu pelo toque, Danilo!]

3. Adicione os arquivos pré-traduzidos normalmente no projeto do memoQ.

4. Se o cliente enviou a memória, você pode usar a opção Import from TMX/CSV, no módulo de recursos ou na aba Translation Memories, para incorporar a memória do cliente (que você transformou em .tmx no passo 1 acima) à memória do projeto.

5. Traduza o arquivo normalmente no memoQ.

6. Exporte o arquivo bilíngue, usando a opção Export bilingual/Two-column RTF da aba Translations.

7. Abra o arquivo no Word e passe o corretor ortográfico/gramatical. Salve as alterações.

8. Reimporte o arquivo corrigido no memoQ, usando o comando Import/update bilingual da aba Translations.

9. Confirme os segmentos alterados: selecione no menu Operations/Confirm and Update Rows, marque a opção Edited e clique em OK. Todos os segmentos alterados serão incorporados à memória do projeto.

10. Agora, veja se não esqueceu nenhuma tag. Se isso acontecer o arquivo pode não abrir corretamente no TagEditor ou dar problema na exportação final. No menu, selecione Operations/Resolve Erros and Warnings. Corrija o que precisar, confirmando cada segmento corrigido.

11. Só falta exportar o arquivo. Na aba Translations, selecione Export (dialog) e especifique o local de destino do arquivo. O resultado é um arquivo .ttx bilíngue, exatamente como se tivesse sido traduzido no TagEditor.

12. Prontinho. Por via das dúvidas, abra o arquivo no TagEditor para confirmar que não deu nenhum problema. É raro, mas pode acontecer.

Observação importante: para que o arquivo final seja bilíngue é indispensável a pré-tradução no Workbench (passo 2). Caso contrário, o resultado será um arquivo apenas em português (ou qualquer que seja sua língua-destino).