Qual a melhor ferramenta?

Já ouvi a pergunta várias vezes: “Qual a melhor CAT?”

Apesar de usar exclusivamente o memoQ há mais de um ano, acredito que a melhor ferramenta (para tudo, não só para traduzir) é aquela que melhor se adapta a você e à ocasião. Você não usa (ou não deveria usar) uma chave de fenda para bater um prego. Da mesma forma, cada tipo de arquivo requer uma ferramenta específica.

Antes do memoQ eu usei o Wordfast durante muito tempo, e ele atendia perfeitamente minhas necessidades. Só migrei para o memoQ porque comecei a receber muitos projetos com formatos diferentes de .doc, que é o formato ao qual o Wordfast melhor se adapta. Ele também funciona razoavelmente bem em planilhas .xls e em apresentações .ppt, mas não é raro se enrolar e dar problema.

O memoQ, por outro lado, lida bem com muitos tipos diferentes de arquivo. Então, para mim, era essencial trocar de ferramenta se quisesse continuar traduzindo esses tipos diferentes de arquivo. Não me arrependo, porque atualmente recebo pouquíssimos arquivos do Word. O investimento valeu a pena e se pagou rapidamente.

Se você trabalha só com .doc, o Wordfast é uma opção mais lógica e barata. E vai resolver o seu problema muito bem.

Outra questão a considerar é a curva de aprendizagem. A melhor ferramenta para você é aquela com a qual se sente mais à vontade, da qual conhece os atalhos, comandos e recursos, que faz sua produtividade aumentar. Embora as ferramentas de CAT não sejam bichos de sete cabeças, conheço vários colegas que se atrapalham um tanto com os programas e, principalmente, com os atalhos. Minha dica, nos primeiros dias, é: imprima uma lista dos principais atalhos (a ajuda do programa costuma ter) e deixe do lado do teclado. Ajuda muito no início.

Resumo: não existe UMA ferramenta melhor, existe a melhor ferramenta para você, naquele projeto específico. O ideal é conhecer mais de uma ferramenta, além de alguns truques para converter arquivos entre elas. Desta forma, você consegue abranger um número maior de possibilidades no dia a dia.

Jornadas de Línguas Aplicadas da Universidade do Minho

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Nem todo atraso significa calote

Esses dias eu fui “premiada”. Dois clientes não me pagaram em dezembro. Como viajei no fim do ano, só fui perceber a falta de pagamento no início de janeiro.
Mandei email para os dois, pedindo educadamente que por favor verificassem se o pagamento das faturas X, Y e Z (sim, mais de uma de cada cliente) havia sido feito, porque eu não estava conseguindo localizar no extrato.
São clientes antigos, sempre pontuais.
Um deles pediu para re-enviar a fatura, pois não estavam encontrando. Encaminhei o email original, comprovando o envio da fatura. Pediram mil desculpas, fizeram o pagamento no dia seguinte.
O outro respondeu que haviam feito o pagamento no dia 6 de dezembro (a primeira fatura vencia dia 19, logo o pagamento estava adiantado), no valor total das faturas. Antes de eu responder que o dinheiro não tinha chegado, chega outro email dizendo que realmente o erro tinha sido deles e que tinham lançado no sistema, mas acabaram não fazendo a transferência. Transferiram o valor na mesma hora, incluindo até as faturas que ainda não tinham vencido.
Agora me digam: e se eu tivesse agido como já vi vários colegas fazendo? E se eu tivesse “rodado a baiana”, mandado email mal-educado e colocado a boca no mundo nas listas e outros fóruns, chamando o cliente de caloteiro e salafrário?
Teria perdido dois clientes excelentes, que me rendem um bom dinheiro.
Fica então a dica: todos os contatos com o cliente devem ser cordiais e profissionais. Sempre. Isso não quer dizer absolutamente baixar a cabeça nem deixar passar nada. Se você tem que cumprir sua obrigação de entregar um serviço bem feito e no prazo, o cliente tem a obrigação de pagar no prazo combinado. Se não pagar, cobre. Mas com educação.
Algo como “Não consigo localizar o pagamento referente à fatura X, no valor de Y, vencida no dia Z. Por favor informe data e valor do pagamento, para que eu localize no extrato”.
Se o cliente não pagou mesmo e perceber que está enrolando, “Favor providenciar o pagamento até dia X, evitando assim o envio do título para protesto”.
Mas sempre com educação, porque quem perde a educação perde também um pouco da razão. E, se chamar o cliente de safado, caloteiro e coisas do mesmo calão em público, ainda pode acabar processado.

Spam tradutório

Costumo receber CVs de tradutores por e-mail, apesar de nunca ter agenciado nenhum projeto nem dar a entender nada parecido aqui no blog, nem em nenhum outro lugar.

O que muitas vezes acontece é precisar indicar alguém para o cliente porque não entendo do assunto, não trabalho com um determinado par de idiomas ou não tenho condições de aceitar o projeto, por algum motivo, mesmo sendo da minha área e idioma. Mas, nesse caso, obviamente vou indicar alguém que eu conheça, que saiba que é um tradutor pelo menos razoável. Não vou indicar alguém cujo trabalho eu não conheço, que eu não sei se é confiável, pontual. Eu é que não vou me queimar com o cliente! O máximo que já fiz foi pedir indicação a colegas, a pedido do cliente, e repassar o contato com a ressalva de que não conheço, mas foi bem indicado, e que o cliente deveria fazer um teste com o tradutor antes.

Eis que hoje chega um e-mail de uma portuguesa, se oferecendo como tradutora no par português (europeu)-francês e se dispondo a fazer um teste. Fico me perguntando onde ela conseguiu meu endereço. Em todos os portais, e mesmo na minha assinatura de e-mail, sempre coloco o endereço aqui do site (e, antes, do blog no Blogger). Tivesse ao menos se preocupado em clicar no link, veria que não trabalhamos com os mesmos idiomas. E certamente perceberia que não sou agência, sou só tradutora.

Sim, eu também garimpo clientes na internet. Acho que todo tradutor faz (ou deveria fazer) isso. Mas olho os sites um a um, vejo se o cliente em potencial trabalha com os meus idiomas, se atua nas minhas áreas de especialização, que tipo de clientes atende, se anuncia seus preços no site. Porque se ele anunciar um preço próximo ao que eu cobro, nem vale a pena mandar CV. Com certeza não vai querer pagar o meu preço.

Então, fica a dica: garimpo de clientes sim, spam tradutório, não. Até porque passa a impressão (ou, dependendo do caso, a certeza) de que você não pesquisou antes de mandar o e-mail. Ou que abriu o site, leu mas não entendeu o que leu. E, para um tradutor, não sei qual primeira impressão, dentre as duas, é a pior.