Networking e os maus pagadores

Uma utilidade importantíssima do networking é saber quem paga bem, na data combinada, e quem não paga. Mesmo que seja só lendo as listas de discussão, onde o assunto e frequente, é preciso ficar de olho nos alvos das reclamações e fazer uma “lista negra” particular. O nome de Fulano já pipocou duas ou três vezes como mau pagador? Eu é que não vou trabalhar para ele!
Vale também perguntar para os colegas mais próximos, antes de aceitar um projeto de cliente novo, se eles conhecem, se já trabalharam com aquele cliente (seja colega, agência ou cliente direto), se ele paga em dia. Para isso também servem e-mail, MSN, Skype, Twitter.
Portanto, quanto maior a sua rede de contatos, maior a quantidade de informações que pode conseguir, e mais confiáveis elas serão.
Livre-se dos maus clientes. Diga um “Não, obrigado” bem sonoro quando um desses vier oferecer serviço. Quanto mais bem informados formos, como categoria, maior a possibilidade de tirar os maus pagadores do mercado. Ou, pelo menos, da NOSSA vida profissional.

Nem todo atraso significa calote

Esses dias eu fui “premiada”. Dois clientes não me pagaram em dezembro. Como viajei no fim do ano, só fui perceber a falta de pagamento no início de janeiro.
Mandei email para os dois, pedindo educadamente que por favor verificassem se o pagamento das faturas X, Y e Z (sim, mais de uma de cada cliente) havia sido feito, porque eu não estava conseguindo localizar no extrato.
São clientes antigos, sempre pontuais.
Um deles pediu para re-enviar a fatura, pois não estavam encontrando. Encaminhei o email original, comprovando o envio da fatura. Pediram mil desculpas, fizeram o pagamento no dia seguinte.
O outro respondeu que haviam feito o pagamento no dia 6 de dezembro (a primeira fatura vencia dia 19, logo o pagamento estava adiantado), no valor total das faturas. Antes de eu responder que o dinheiro não tinha chegado, chega outro email dizendo que realmente o erro tinha sido deles e que tinham lançado no sistema, mas acabaram não fazendo a transferência. Transferiram o valor na mesma hora, incluindo até as faturas que ainda não tinham vencido.
Agora me digam: e se eu tivesse agido como já vi vários colegas fazendo? E se eu tivesse “rodado a baiana”, mandado email mal-educado e colocado a boca no mundo nas listas e outros fóruns, chamando o cliente de caloteiro e salafrário?
Teria perdido dois clientes excelentes, que me rendem um bom dinheiro.
Fica então a dica: todos os contatos com o cliente devem ser cordiais e profissionais. Sempre. Isso não quer dizer absolutamente baixar a cabeça nem deixar passar nada. Se você tem que cumprir sua obrigação de entregar um serviço bem feito e no prazo, o cliente tem a obrigação de pagar no prazo combinado. Se não pagar, cobre. Mas com educação.
Algo como “Não consigo localizar o pagamento referente à fatura X, no valor de Y, vencida no dia Z. Por favor informe data e valor do pagamento, para que eu localize no extrato”.
Se o cliente não pagou mesmo e perceber que está enrolando, “Favor providenciar o pagamento até dia X, evitando assim o envio do título para protesto”.
Mas sempre com educação, porque quem perde a educação perde também um pouco da razão. E, se chamar o cliente de safado, caloteiro e coisas do mesmo calão em público, ainda pode acabar processado.