(Português) A tecnologia vai acabar com o Tradutor? – Abrates 2015

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Minha segunda palestra no congresso da Abrates deste ano foi sobre a postura do tradutor com relação à tecnologia. Muitos a veem como inimiga, mas eu prefiro considerá-la uma aliada poderosa.

Sugiro que abram as notas dos slides para que as imagens não sejam interpretadas fora do contexto da apresentação. É só clicar na engrenagem logo abaixo da apresentação e depois em “Open speaker notes”. Aparecerá uma nova janela mais ou menos com esta cara (use o painel à esquerda para navegar pelas notas):

Screenshot 2015-06-11 16.02.00

Links para sites mencionados na apresentação:

Uwe Muegge

ProMT

Systran

memoQ

Google Translate

Google Translate Toolkit

TO3000

What your clients want you to do

One of my clients recently sent these tips to their translators, and I think they can be useful to most of us.

  • Be honest. If in doubt, say No.If you are not sure if you can meet the deadline or can take on the job, please be honest and say “No” or ask for more time before you accept it. Asking for an extension after the project has started will cause us many problems.
  • If we don’t give you a clear written confirmation, a Project Number and a Purchase Order, do NOT start working.POs include all the details for the project, such as schedule, agreed cost, list of files to translate and instructions. You can only invoice us for the amount included in this form, so you must ensure that you read the PO and agree with all details listed there before you start working on the project.
  • Please do not be afraid to ask!We are always happy to help you in any way we can and you should always clarify any queries you may have. If we don’t know the answer, we will ask our clients.
  • Instructions should always be followed.We always analyse the client’s requirements in detail before we start any project and prepare a list of instructions for our translators. These instructions are included in the confirmation e-mail, as well as in the documentation for the project, and are aimed at helping you during the translation process. It is essential that you always follow them. If you don’t, we may need to ask you to re-do your work.
  • Reference documentation should always be used.We always try to get as much reference documentation, definitions and background information as we can from our clients. It is vital that you read and understand these before you complete your translation. This will also cut down on finalisation time.
  • Check before delivering!Please always check your work very carefully before delivering it to us. We will send back any work that contains issues. This also applies to running a an automatic (as well as manual) spell check before you send any work to us. Translations with spelling mistakes are not acceptable.
  • If the quality of the translation you need to proof-read is bad, please tell us before you start working.Always provide examples of issues and we will look into them and decide what to do. Please remember that you cannot charge us more for extra work, unless we approve the additional costs before you start!
  • Improve it if you can!By proof-reading we mean not only correcting purely linguistic issues, but also every other aspect of a translation. We expect you to check: accuracy, spelling, grammar, style, consistency, formatting , terminology, appropriateness for the target audience, etc . By checking we mean not only spotting the mistakes or aspects that could be improved, but also amending them directly in the translation so we have a finalised text. If there is anything you can translate better, please change it!
  • Mark what you change and give feedback.It is always useful for us to know what our proof-readers change in translations. Therefore, when proof-reading a translation in Word, please use Track Changes feature, and when working in Excel simply highlight the cell with changes with a different background colour (no need to mark every single word unless we ask you to).

    If we need detailed comments on the changes, we will ask you for them and we will tell you where you can insert them.

    Please always avoid using the strikethrough feature as it is as time consuming for us to finalise the text, as it is for you to use this feature.

    We always encourage our proof-readers to send us feedback on the translations. Do not be afraid to give us your opinion, we will appreciate it!

  • If a change does not improve the translation, don’t apply it!Be critical when finalising a translation after our client’s review. Always check if the changes they have requested are correct or improve the translation before you apply them. If  not, please do not apply the change and insert a note explaining why.

My comments:

  • Don’t be afraid to ask, but think before you do it. Our clients like when we ask for clarifications, as it shows we’re paying attention to the project, but silly or absurd questions may show you don’t know the subject in hand or you don’t know what you’re doing, which is really bad for you.
  • When you give feedback, be as professional and objective as possible. Support your changes and comments with links and quotes from dictionaries, grammars and other references.
  • Improve the text, if you can, but don’t make unnecessary changes just to “show you’re working”. Sometimes the translation is good before it reaches you. In this case, praise the translator. 😉

(Português) Pavlov e a concentração

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Já ouviu falar de Pavlov? Costumo dizer que a minha concentração é pavloviana. Muitas vezes, ela só dá as caras com um determinado conjunto de estímulos.

Ao longo do tempo, descobri que o ambiente ideal pra concentração se “manifestar”, quando anda meio ausente, é música new age nos fones de ouvido mais pomodoro (ou, como é carinhosamente chamado, “tomatada”). Talvez por ter usado essa dupla por muito tempo para trabalhar em dias de boa concentração, hoje ela “chama” a concentração passeadeira.

Então, fica a dica: se uma técnica ou um determinado ambiente funciona bem para você trabalhar, use-o sempre e condicione seu cérebro. Assim, quando precisar… Pavlov nele!

 

PS: Se precisar de uma trilha sonora para trabalhar, tenho algumas playlists no Grooveshark (new age, Yes, Jean Michel Jarre) (para mim, ajuda se a música for só instrumental). O Spotify também tem playlists para todos os gostos.

(Português) Quem tem medo do Google Translate?

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Não é de hoje que vejo colegas esbravejando contra a tradução automática, principalmente contra o tradutor do Google, hoje em dia a mais famosa dessas ferramentas. Pessoalmente não uso o GT porque o tipo de material que traduzo requer sigilo e meu clientes exigem isso em contrato, mas tenho experiências cada vez melhores com o ProMT (que é offline, só na minha máquina, com minhas TMs, meus glossários e as regras que eu especifico para cada caso).

Acabei de ler um artigo que fala do uso do GT na comunicação entre médicos e pacientes, e as conclusões corroboram a minha experiência:

“Google Translate has only 57.7% accuracy when used for medical phrase translations and should not be trusted for important medical communications. However, it still remains the most easily available and free initial mode of communication between a doctor and patient when language is a barrier. Although caution is needed when life saving or legal communications are necessary, it can be a useful adjunct to human translation services when these are not available.”

“Swahili scored lowest with only 10% correct, while Portuguese scored highest at 90%.”

Estão falando de tradução com GT, ferramenta grátis e sem pós-edição.O artigo completo está aqui: http://www.bmj.com/content/349/bmj.g7392

E como isso pode ajudar a nós, tradutores? Querem um exemplo prático? Traduzi recentemente o manual de operação de um equipamento para laboratório de análises clínicas usando o ProMT. Segundo o memoQ, mexi só em 20% do texto para mandar pro cliente com a terminologia e o estilo que ele queria. Ênfase no “mexi no texto“. MT tem que ser pós-editada, obviamente, para não ser um tiro no pé do tradutor. O texto que vai pro cliente tem que ser tão bom quanto o que você traduziu “sozinho”.

MT não serve pra todos os tipos de texto nem pra todas as ocasiões nem pra todos os pares de idiomas, mas pode ser um grande aliado dos tradutores que não tiverem medo de aprender uma tecnologia nova. Pode nos poupar digitação e muito tempo – ou seja, mais saúde, mais produtividade e mais tempo livre, sem necessariamente perder qualidade. Tudo depende de quem (e como) usa a ferramenta.

(Português) Pelo fim do coitadismo e do mimimi

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Não ao coitadismoVocê faz parte de um grupo qualquer de tradutores há algum tempo. Meses, anos. E semana sim, outra também, vê gente nova chegando e perguntando as mesmas coisas. Como fazer, onde ir, quanto cobrar, como funciona, etc. Uma, duas, dez, cem vezes. Considerando que 1) a maioria dos fóruns guarda todas as postagens e 2) saber e querer pesquisar deveria estar no DNA do tradutor, qual a atitude mais coerente? Acho eu, cá com os meus botões, que o mais correto é dizer “olha, ali tem uma ferramenta de busca, procure que isso já foi discutido 98596504286537856 vezes e já tem muita informação disponível”. Certo? Aparentemente, não.

Tenho visto, cada vez mais, recém-chegados ao mercado reclamando dessa atitude dos “veteranos”. Como assim, não vão me explicar tudo de novo? E veteranos passando a mão na cabeça dos recém-chegados (ou novatos, ou iniciantes, ou como quer que sejam chamados) porque pobrezinhos, não sabem nada, precisa ensinar. Concordo que ninguém nasce sabendo e nunca me recusei a ajudar (e este blog é uma prova disso), mas me recuso a colaborar com a cultura do coitadismo. Profissional tem que se portar como profissional. Ponto.

É comum os recém-ingressos no mercado não saberem quanto cobrar. Muitas vezes, mesmo os que frequentaram faculdade de tradução não têm um mínimo de noção dos preços praticados. E, nisso, a ajuda de quem tem mais tempo de estrada é fundamental. Nós temos a obrigação de dizer que um determinado valor é baixo, que é possível ganhar muito mais. Porque fazendo isso, indiretamente estamos educando os clientes também. Se menos tradutores aceitarem preços baixíssimos, pelo menos em teoria a tendência seria um aumento nos valores mínimos pagos pelos clientes. Isso é bom para o mercado e é bom para os tradutores como classe. E, principalmente, é bom para cada tradutor, que pode faturar a mesma coisa, ou mais, trabalhando menos. Os amigos, a saúde, a família, todos saem ganhando.

Na minha cabeça, isso é de uma lógica claríssima. Mas acho que muitos não compartilham da minha opinião, porque o que mais vejo são colegas dizendo “ah, mas não tem como um novato conseguir receber pela tabela do Sintra!”, “antes o pingado que o seco”, “quem está começando precisa aceitar o que aparecer”. Pior ainda, quando alguém mais experiente diz que determinados valores são ridículos, é chamado de prepotente, dizem que já esqueceu como era no início da carreira. Eu já contei que comecei ganhando pouco numa época difícil, vivi tudo isso na pele. Mas sei também que é perfeitamente possível sair desse ciclo negativo. Se especializar, batalhar, conquistar clientes melhores, participar de congressos, evoluir. Mas, para isso, é imprescindível deixar de lado o coitadismo. Levantar a cabeça, respirar fundo, aceitar críticas, não esperar nada de mão beijada, largar de mimimi, agir como um adulto profissional, não como adolescente birrento que dá piti quando não consegue o que quer. E a melhor ajuda que os mais experientes podem dar é mostrar, o quanto antes, como os iniciantes podem andar com as próprias pernas. O mercado de tradução e a sociedade como um todo agradecem.

Imagem: Geração de Valor