Serendipity

Esta semana o Danilo Nogueira me perguntou, no twitter, se eu conhecia o MacHack. Como trabalho em um Mac achei que fosse algo específico para ele e que não conhecia. Logo depois recebo o arquivo por email. Abro e descubro que já conhecia, sim, mas com outro nome.

Eu costumava usar o Serendipity há algum tempo, mas ele se perdeu em alguma formatação de computador. Agora está bem guardado no HD externo (além da cópia que ficou no gmail), porque realmente vale a pena.

O funcionamento é bem simples: é uma página HTML que, aberta no navegador, traz campos para pesquisa de terminologia em glossários e definições (em português, inglês, espanhol e francês), usando o Google.

Acho que a melhor maneira de não esquecer dele é colocá-lo na barra de links, assim fica visível o tempo todo. Para isso, é só abrir a página no navegador e depois arrastar da barra de endereços para a barra de links. Ou salvar como favorito, como preferir.

Se ficou interessado, baixe o arquivo aqui (está hospedado no Fidus Interpres, do colega Fabio Said). É um arquivo minúsculo (8 kB), mas que ajuda bastante.

Ah, sim, um detalhe: repare na terceira opção do menu em português. “Caiu na rede, é peixe” não tem mesmo a cara do tradutor desesperado quando não acha o que precisa?

A questão do pagamento – ou da falta dele

Um assunto recorrente, em qualquer fórum de tradutores, é a falta de pagamento pelo cliente X ou Y. Pior, X e Y geralmente são figurinhas conhecidas, que vivem sendo mencionados como maus pagadores.

Isso me dá uma quase-certeza: boa parte dos tradutores tem talentos linguísticos, mas não comerciais.

Uma comparação simples são as lojas de varejo. Se eu for comprar alguma coisa a crédito, digamos, nas Casas Bahia, vou ter que preencher uma ficha de cadastro com todos os meus dados. Preciso dar referências, nome do banco, cartão de crédito. O departamento de crédito vai confirmar as informações, verificar no Serasa se não sou inadimplente (vulgo “caloteira”), se tenho protesto na praça, enfim, vão levantar minha ficha completa para decidir se vale a pena o risco de me venderem um produto a prazo.

Então por que eu, que tenho muitos menos cacife que as Casas Bahia para aguentar o baque de um calote, não faria a mesma coisa?

Na maioria dos casos o Serasa não resolve nosso problema, mas nós, tradutores, temos nossos métodos próprios de consulta ao crédito. Os principais são:

– Listas de pagamento do Yahoo (gratuitas): WPPF, pp_brasil
– Sites específicos de consulta a crédito para tradutores (pagos): TCR, Payment Practices
BlueBoard do Proz (pago)
– Arquivos das listas de tradutores

À exceção do BlueBoard, que traz informações completas apenas para os membros pagantes do Proz, o investimento é ínfimo comparado à tranquilidade que proporciona. A TCR custa USD 12 ao ano, a Payment Practices, USD 20. AO ANO. Um único mau cliente que descartemos por informação dessas fontes já compensou o investimento, com muita folga.

Pesquisar os arquivos das listas de tradutores também costuma ajudar. É muito comum colegas reclamarem em público quando não são pagos, e as queixas ficam lá nos arquivos, registradas para a posteridade.

Aliás, é marcante a diferença de postura entre as queixas nas listas de tradutores e as informações nas listas de pagamento. As últimas costumam ser mais objetivas, demonstrando um comportamento muito mais profissional. Algo como “a empresa X me deve X patacas por um serviço entregue dia tal, com pagamento combinado para dia tal”. Nas listas, o tom costuma ser mais na linha “Fulano da empresa ACME é um safado caloteiro, não me paga nem atende meus telefonemas”. Podem estar dizendo exatamente a mesma coisa, mas chamar alguém de “safado caloteiro” certamente sujeita o denunciante a represálias, além de demonstrar pouco profissionalismo.

É também importante obter o máximo de informações que puder sobre o cliente: nome (ou razão social, no caso de agências), endereço, telefones, e-mail, nome do contato. Incrível o número de colegas que aceita serviço, principalmente terceirizados de outros tradutores, sem saber nada sobre o contratante além de um endereço de e-mail gratuito.

Quando a empresa está no Brasil até fica mais fácil receber, pode-se protestar a duplicata (presumindo-se que o tradutor emitiu uma nota fiscal) ou cobrar na justiça, mas e se a empresa estiver do outro lado do mundo?

É muito mais fácil, rápido e indolor se precaver antes de aceitar o serviço do que chorar e espernear sobre o leite derramado.

Wordnik, outro dicionário online

Acabo de saber, através do LifeHacker, sobre o Wordnik.

É um dicionário inglês-inglês online que, além da definição do termo (American Heritage Dictionary, Century Dictionary, Webster’s Unabridged e WordNet), traz também exemplos de uso (inclusive no Twitter, com exemplos em tempo real), palavras relacionadas, pronúncia e estatística de frequência de uso ao longo do tempo.

Já está na caixa de pesquisa do meu Firefox.

Qabiria

Já tinha instalado a barra do Qabiria para Firefox há alguns dias, mas por diversos motivos só agora consegui fazê-la funcionar direito. Tinha gostado desde o começo, gostei muito mais depois que tudo começou a funcionar a contento.
Existe também uma versão para Internet Explorer, e ambas podem ser baixadas aqui.

A barra traz vários recursos extremamente úteis para nós, tradutores:

– busca em vários dicionários e sites de referência (Wikipedia, DeMauro, Merriam Webster, Duden, Acronym Finder, WordReference, Babylon)
– notícias atualizadas, revistas e publicações sobre tradução
– diversos utilitários (calculadora, rádio online, conversor de medidas e de moeda, previsão do tempo, calendário)
– acesso a sites sociais (Facebook, Twitter, Orkut, MySpace, LinkedIn)
– acesso aos sites de suporte das principais ferramentas CAT

Inicialmente os gadgets e utilitários não funcionavam aqui. Achei que era incompatibilidade com o Mac, mas também não funcionavam no meu Firefox do Windows. Analisando com mais atencão, descobri que a incompatibilidade era com o NoScript, que uso para bloquear a execução de Javascript e Flash nos dois Firefox.

Para tudo funcionar perfeitamente, precisei liberar no NoScript os seguintes sites: www.calculator-tab.com, www.labpixies.com, www.yahoo.com e www.qabiria.com.

Em resumo, acho que vale a pena instalar, mesmo se você não for tradutor.

Novos recursos do Google

O Google anunciou, ontem, novos recursos para refinamento das buscas. Ainda não está disponível no Google Brasil, mas não deve demorar muito. Até lá, usamos o google.com ou o google.co.uk.

Vou usar, aqui, o mesmo exemplo que usaram na apresentação, o telescópio Hubble, por causa da variedade de material disponível. Para ver as novas opções, clique em “Show options…”, acima dos resultados da busca.

O que você vai ver é:

Na coluna da esquerda, agora aparecem opções para:

– Tipo de conteúdo: vídeos, fóruns de discussão e análises (artigos, Wikipedia, etc.)
– Filtro cronológico: você pode restringir para resultados recentes, das últimas 24 horas, última semana ou último ano
– Resultados padrão, com a opção de ver as imagens de cada página (mais ou menos uma mistura com o Google Imagens)
– Tipo de visualização: padrão, buscas relacionadas, wonder wheel (com a separação dos assuntos, dentro de sua busca) e timeline (traz os resultados em ordem cronológica).

Acho que para nós, tradutores, as opções de restrição por data, visualização das imagens da página e wonder wheel são as mais interessantes.

Restringir os resultados por data pode ser extremamente útil quando pesquisamos terminologia recente, por exemplo. A busca cronológica talvez seja útil para tradutores que lidem com textos antigos, para saber quando determinado termo começou a ser usado, ou para pesquisas históricas.

Eu, particularmente, gostei muito da wonder wheel (além de estar curiosa para saber como ficará o nome em português). No mesmo exemplo do Hubble, a “roda” inicial era:

Depois de selecionar os papéis de parede, mandei restringir aos papéis de parede da Nasa:

Observe que à direita já aparecem os resultados, inclusive com imagens.

Sim, eu sei que muito disso tudo já podia ser feito antes, com as opções avançadas. Mas a diferença, agora, é que ficou mais intuitivo e fácil de visualizar.

O ruim (sim, quase tudo tem um lado negativo, infelizmente) é que agora também ficou muito mais fácil se distrair em meio a tanta informação, imagens e vídeos.