PC x Mac – diferenças, semelhanças e escolhas

Seu computador está ficando velhinho, irritantemente lento. OK, chegou a hora de trocar, porque um computador lento ou temperamental (aquele que funciona quando quer) mata qualquer esperança de dia produtivo! E nesse momento alguns podem se perguntar: Mac ou Windows? Qual a melhor opção? Apesar de a discussão Mac x Windows ser antiga e acalorada, muitas vezes quase como uma batalha religiosa, defensores de um lado tentando convencer o outro de que estão certos, que sua escolha é a mais acertada, quando se trata de sistema operacional, na verdade, não existe UM melhor, uma solução única mais adequada para todos. Existe o mais adequado para cada perfil de usuário, com base nas necessidades e usos que faz do computador e em seu nível de conhecimento tecnológico como um todo. Vou destacar aqui alguns itens que devem ser levados em consideração na hora de escolher sua próxima máquina. Sou macqueira há anos, mas prometo [tentar] manter a imparcialidade nos argumentos.

Preço

Os Macs são fabricados só pela Apple, e essa falta de concorrência não ajuda a oferecer computadores baratos ao consumidor. São investimentos altos (nem vou entrar no mérito da diferença de valores nas lojas brasileiras e norte-americanas), mas, em contrapartida, os equipamentos são produzidos com materiais robustos e costumam durar muitos anos. Essa durabilidade, aliada ao lançamento frequente de modelos novos, permite comprar máquinas de um ou dois “modelos atrás”, mas ainda com configuração excelente, por valores não muito superiores aos de PCs de configuração correspondente. Principalmente para nós, tradutores, essa é uma opção que deve ser considerada com carinho na hora de comprar o primeiro Mac ou trocar de máquina. Já fiz mais de uma vez e não me arrependi.

Os PCs, como normalmente chamamos os computadores que rodam Windows, são produzidos por inúmeros fabricantes em todo o mundo. Por um lado, a enorme concorrência proporciona preços mais baixos. Por outro, é preciso pesquisar muito bem antes de comprar para não jogar dinheiro fora numa máquina de configuração e/ou qualidade duvidosa. Outra vantagem dos PCs são a facilidade e o custo dos upgrades, novamente por causa da miríade de fornecedores.

Em termos de periféricos, a maioria funciona nas duas plataformas. Ou seja, o usuário não precisa trocar de impressora nem aposentar aquele mouse que encaixa direitinho na mão ou o teclado perfeito que demorou tanto tempo para achar.

Segurança

Historicamente, o sistema operacional do Mac é mais seguro que o do Windows por um motivo bem simples: a base instalada (ou seja, a quantidade de computadores que usam o sistema operacional) é muito menor. Os desenvolvedores de vírus preferem criar pragas que ataquem o maior número possível de usuários, portanto seu alvo costuma ser computadores com Windows. Só que, nos últimos tempos, tem crescido a variedade de “frentes de ação” desses desenvolvedores, e muitos programas atacam todas as plataformas (via sites da internet, por exemplo).

Além disso, muitos fabricantes/distribuidores de PCs incluem bloatware nos computadores que vendem. São programas que, na prática, são inúteis, porque as licenças têm validade de poucos dias. No fim, só ficam ocupando recursos e espaço do computador, prejudicando o desempenho do sistema. Dependendo da honestidade do fornecedor (e lembro novamente que existem todos os tipos de PCs, desde os mais confiáveis até os mais duvidosos), esse “lixo de fábrica” pode também ter programas perigosos (os chamados malwares).

Para Mac ou Windows, a recomendação é a mesma: antivírus e atenção no dia a dia.

Praticidade/facilidade de uso

A minha impressão, como usuária de ambos os sistemas, é que os Macs são mais interativos para o usuário médio. É mais fácil “se achar”, mesmo nas configurações.

Modelos mais recentes de PCs têm dado ênfase ao touchscreen, possibilitando o uso do monitor como tablet. Para algumas atividades, isso pode ser um diferencial importante. Imagine, por exemplo, poder rabiscar anotações à mão ou desenhar diretamente no arquivo.

Nos Macs, a ênfase é mais nos gestos no touchpad, tanto em laptops quanto desktops, do que no touchscreen. Além de aumentar a produtividade, os gestos previnem as lesões por movimento repetitivo causadas pelo mouse.

Hoje, tanto Windows quanto Mac têm comando de voz, mas os Macs têm um recurso especialmente interessante para tradutores: o ditado. Funciona maravilhosamente bem – inclusive com máquina virtual, que vou explicar mais à frente. É uma pena o Windows não ter nada parecido; para falantes de português, infelizmente, não existe nem opção de aplicativo para isso.

Idiomas

O Windows é vendido em inúmeros idiomas, mas não é possível alterar o idioma do sistema sem uma reinstalação geral. No Mac, o sistema operacional é multilíngue e para trocar o idioma é só alterar a configuração e reiniciar o computador. Para quem trabalha com localização e às vezes precisa localizar algum menu ou comando em mais de um idioma, esse truquezinho vem a calhar (e eu digo por experiência).

Aplicativos

A maioria dos principais aplicativos de que precisamos para trabalhar e usar o computador no dia a dia estão disponíveis nos dois sistemas, com preços bem semelhantes. Aquela história de “programas para Mac são mais caros” é coisa do passado remoto.

As licenças do Office 365 podem ser usadas indistintamente em qualquer uma das duas, por exemplo. A Adobe (Acrobat, Photoshop, InDesign) também oferece seus programas para as duas plataformas. Dropbox, OneDrive e Skype idem.

Se falarmos de jogos, e muitos tradutores são também gamers, que eu sei, a coisa muda de figura. A imensa maioria dos títulos é lançada só para Windows.

No universo tradutório o Windows também impera. Apesar de existirem boas CAT Tools para Mac, com destaque para Swordfish e MemSource (além das que funcionam via Web, portanto são compatíveis com todos os sistemas operacionais), as principais ferramentas do mercado (memoQ, Studio e DVX) só funcionam no Windows. Idem os principais dicionários e ferramentas, como Olifant e Xbench.

Máquina virtual

Apesar de não termos as principais CAT Tools e os melhores dicionários funcionando em Macs, o número de tradutores macqueiros só cresce. Por quê? Por causa de um programinha lindo e maravilhoso, que permite ter o melhor dos dois mundos ao mesmo tempo.

Em termos bem simples, a máquina virtual é um outro computador dentro do seu computador. Não literalmente, claro. O programa cria um ambiente simulado, por assim dizer. Portanto, você pode instalar um Windows XP “dentro” do seu Windows 10 para rodar aqueles programas velhinhos que não funcionam mais no sistema atual sem precisar de outro computador. Ou o tradutor macqueiro pode instalar o Windows para rodar o memoQ e o dicionário de regências do Luft, por exemplo.

Existem vários programas para isso, mas destaco estes:

– Bootcamp: É o programa nativo do Mac, portanto é gratuito. Não gosto muito dele porque exige reiniciar o sistema para iniciar o Windows, depois novamente para voltar. Não vejo vantagem em ter um Mac e não poder usar o sistema dele. Se for para usar só o Windows, é mais vantajoso comprar um PC.

Virtualbox: Programa da Oracle para Windows, Mac e Linux, também grátis, que permite instalar uma variedade de versões do Windows. Alguns colegas usam e gostam muito, mas eu experimentei apenas rapidamente.

Parallels Desktop: Minha opção de máquina virtual há quase dez anos. É pago, mas o valor compensa pelo nível de controle (espaço de disco, memória e outros recursos do sistema) e de estabilidade que proporciona. A imagem a seguir ilustra a vibe “melhor dos dois mundos” que me conquistou: Chrome e Word são do Mac, memoQ e GoldenDict estão no Windows, mas trabalho com tudo junto, lado a lado ou espalhados por dois monitores, tudoaomesmotempoagora. A estabilidade do Mac, com a facilidade de poder usar os programas que eu quiser, mesmo que sejam do Windows.

É, eu também percebi que a imparcialidade foi dar uma voltinha enquanto eu escrevia esses últimos parágrafos… De qualquer forma, como mencionei lá no início, a escolha do sistema é uma decisão pessoal e não vou ficar de mal de ninguém por decidir continuar no Windows. Mas se, por acaso, você começou a sentir uma tentaçãozinha, dê uma espiada neste teste e veja qual sistema operacional combina melhor com seu perfil de uso.

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Este artigo foi originalmente publicado na Revista Metáfrase número 5. Para ver todas as edições da Revista da Abrates, clique aqui. Todas têm artigos muito interessantes para tradutores, revisores e intérpretes. Recomendo muitíssimo!

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Como ganhar mais com tradução – links da palestra do congresso da Abrates

Promessa é dívida, certo? Então aqui estão os links para os sites e programas mencionados na minha palestra do congresso da Abrates deste ano.

MT

 

ProMT

Systran

Tutorial do William Cassemiro para integrar ProMT e memoQ

Uwe Muegge: Twitter; LinkedIn

Kirti Vashee

Ricardo Souza

Slator

Ditado

 

Digitação por voz usando Google Docs

Digitação

 

Tutorial/medição

Teste de velocidade em vários idiomas

Agregadores

 

Feedly

Lista de blogs de tradução na Tradwiki (dica: fucem bastante na Tradwiki toda, tem um tesouro de informações ali!!)

Babylon

GoldenDict (tutoriais para instalação)

IntelliWeb Search

Copernic

FileLocator Lite (dica da Catia Santana durante a palestra)

Menos tempo perdido

 

Translation Office 3000 (tutorial da Patricia Souza)

IFTTT

GTD

 

Revista Metáfrase (o artigo sobre GTD sairá na número 5)

Blog Vida Organizada

Aplicativos para GTD

Tradcast sobre GTD

Todoist

Wunderlist

Foco

 

Pomodoro Technique

SelfControl (Mac)

Buffer

Hootsuite

Rescue Time

Playlists:

Xilepe mental

Xilepe mental forte

Xilepe clássico

It’s all about that jazz

Saúde

 

Workrave

Saúde em Tradução no Facebook

 

E por hoje é só, pessoal! 🙂

Atualização

Promessa é dívida, parte 2: a missão. Aqui estão os slides da palestra. 😉

Sobre marketing online e tiro no pé… de novo

Semana passada fiz o workshop da Marta Stelmaszak sobre marketing para tradutores, promovido pela Abrates com o apoio do Proz.

– Mas puxa, Val – você pode dizer – depois de tanto tempo no mercado,  você precisava mesmo fazer um workshop desses?

Olha, precisava, sim. Porque sou autônoma, porque sempre estou à caça de clientes bons e, se um workshop me ajudar, por que não? E não me arrependi.

No primeiríssimo exercício da tarde, nos reunimos em grupos de 4 pessoas para discutir como não conseguir um cliente. Ou seja, como estragar tudo. Depois de dez minutos de discussão, o resultado foi este:

O que fazer para não conseguir um cliente (foto publicada com autorização)

Em seguida falamos sobre como fazer certo, claro, mas aqui vou me concentrar apenas nos erros, porque são coisas que podem acontecer dia sim, outro também no relacionamento com os clientes.

Os erros enumerados foram:

  • Perder prazo;
  • Não ter presença online (ou não saber se comportar profissionalmente);
  • Divulgar informações confidenciais;
  • Reclamar em redes sociais sobre preços, sobre clientes, sobre colegas;
  • Ser rude (com os clientes e os colegas);
  • Demorar muito para responder quando o cliente entra em contato;
  • Evitar networking;
  • Vangloriar-se (em resumo, apresentar-se como o rei da cocada preta);
  • Desrespeitar clientes e/ou colegas;
  • Não contar às pessoas próximas (amigos, parentes) o que você faz – alguém pode estar precisando de um tradutor agora mesmo;
  • Limitar-se a traduzir, sem procurar resolver os problemas do cliente;
  • Não saber negociar (prazos, preços).
  • Mentir (sobre áreas de especialização, conhecimento, habilidades, etc.) – este item foi incluído depois, por isso não apareceu na foto.

O que mais me espanta nessa lista é que ela reflete uma falta de atenção imensa com um dos nossos maiores patrimônios: a nossa reputação. A atitude de “falem bem, falem mal, mas falem de mim” que vemos semana sim, outra também por aí não é compatível com a nossa vida de autônomo. Nós dependemos da nossa boa reputação para conseguir clientes novos e manter os antigos. E como é que fazemos isso? Como construímos a nossa reputação? Participando de congressos, eventos presenciais, fazendo parte de associações (sim, os bons clientes consideram isso um sinal de profissionalismo), pensando muito bem no que postamos no Facebook e em outras redes sociais.

Falar mal de clientes, divulgar informações confidenciais sobre projetos, xingar colegas, isso tudo pega muito mal para nossa imagem, sem falar na possibilidade de um processo criminal (sim, existe lei pra isso, e ela se aplica a todo mundo).

– Mas ah, – alguém pode argumentar – meus clientes nunca vão ficar sabendo do que eu falo! Eu comentei num grupo fechado, não tem como eles descobrirem…

E se eu te contar que outro dia eu vi uma colega tradutora israelense batendo altos papos com a dona de uma agência dos Estados Unidos que é minha cliente? Donos de agências conversam. Gerentes de projeto conversam. Tradutores conversam. Eles até – pasmem! – se encontram ocasionalmente para um café ou almoço, ou se encontram nos muitos congressos de tradução que acontecem pelo mundo. Acha mesmo que, depois de saber das ~indiscrições~ que as pessoas soltam aos quatro ventos nas redes sociais, elas vão dar uma chance pra essas pessoas? Responda com toda sinceridade: você daria? Eu não.

Muito grave, também, é divulgar informações confidenciais de clientes. A maioria de nós assina NDAs (acordos de sigilo) que proíbem a divulgação dessas informações. Veja este trechinho de um NDA que assinei recentemente:

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Ele proíbe até comentar por aí que eu trabalhei em determinados projetos (o que é realmente uma pena, porque são projetos muito, muito legais). Mas, mesmo que não tenhamos um contrato assinado com um determinado cliente, a ética da profissão dita que devemos tratar toda e qualquer informação como confidencial.

– Mas o meu cliente não liga pra essas coisas, ele não se importa que eu divulgue informações sigilosas – alguém pode alegar.

Se o seu cliente não se preocupa com a ética da profissão, meu amigo, eu ficaria preocupada é com esse cliente. Vai saber se a próxima vítima da falta de ética dele não é você!

Slides e links da oficina de localização no Tradushow 2016

GALA – Globalization & Localization Association

Oficina de localização de jogos do Café com Tradução – o link se refere ao curso de agosto/2015, mas entrem em contato com a organização em caso de interesse em um novo curso

Multilingual Magazine

Multilingual Magazine jun/15, edição especial sobre jogos (PDF)

Multilingual Magazine sobre localização (PDF)

Game Localization (Benjamins Translation Library)

Slides e links da palestra no Tradusa 2016

Conforme prometido, aqui estão os slides da minha apresentação no Tradusa, na sexta-feira passada.

 

ProMT Professional (para usar com português é preciso selecionar a versão multilíngue)

ProMT Professional inglês-português

Fluxo de trabalho para integrar ProMT e memoQ do William Cassemiro